sábado, 25 de dezembro de 2010

O porquê da divisão

Discurso de Wilhie Lynch, um traficante de escravos caribenhos, proferido em 1712.
“Cavalheiros, eu vos saúdo aqui as margens do rio James no ano do Nosso Senhor Um Mil Setecentos e Doze. Estou aqui com o intuito de ajudá-los a resolver algum dos seus problemas com seus escravos. Enquanto Roma usava cruzes para erguer corpos humanos ao longo das estradas, em grande número, os senhores estão usando as árvores com forças para o mesmo fim.
Eu senti o mau cheiro de um escravo morto que foi enforcado numa árvore a algumas milhas daqui. Tenho aqui em minha pasta, um comprovado método de controle de negros escravos. Eu garanto que se implementado corretamente este método será capaz de controlar os escravos pó pelo menos 300 anos. Meu método é simples qualquer membro da família e até o feitor pode usá-lo.
Eu listei algumas diferenças existentes entre negros escravos e pego essas diferenças e as torno maiores ainda. Eu uso o medo, a desconfiança e a inveja como elementos de controle. Esse método tem funcionado em minha modesta plantação lá nas índias do Oeste e funcionará também aqui no Sul. Leiam esta pequena lista de diferenças e pensem a respeito.
No inicio da minha lista a idade, mas poderia começar com outro item. O segundo é a cor ou gradação de cor, existe também a inteligência, estatura, sexo, se o escravo vive no vale ou na colina, se tem cabelos lisos ou crespos, ou se são altos ou baixos. Agora que os senhores já têm uma lista de diferenças, devo algumas atitudes a serem tomadas, mas antes disso devo assegurar aos senhores que a desconfiança é mais forte que a confiança e a inveja é mais forte do que a lisonja, o respeito e a admiração.
Os negros escravos após receberem essa doutrinação deverão incorporar-se a ela e se tronarão eles próprios reproduzidores dela por centenas de anos, talvez milhares de anos. Não se esqueçam os senhores devem jogar um negro velho contra um negro novo, um jovem escravo contra um velho escravo. Os senhores deverão usar o escravo de pele escura o de pele clara e o escravo de pele clara contra o de pele escura. Deverão também os senhores, terem seus criados e capatazes brancos implementando a desconfiança entre os negros, mas é necessário que vossos escravos confiem e dependam de vós. Eles devem amar, respeitar e confiar apenas em nós.
Cavalheiros, esse conjunto de medidas é a chave para o controle usem-nas. Faça com que vossas esposas e filhos também os usem, nunca perca uma oportunidade. Meu plano é garantido e, o bom desse plano é que, ao ser usado intensamente durante um ano os próprios escravos permanecerão eternamente desconfiados uns dos outros.
Obrigado Cavalheiros.

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Intolerância Religiosa e Violação dos Direitos Humanos Universais

Manifesto do CEPAPA.

 O presente manifesto vem a denunciar consequências causado pelo modelo hegemônico econômico, politíco e cultural, que traz consigo uma série de violações dos direitos pleno do homem.
 O fato acontecido no último dia 27 de outubro de 2010, no assentamento Banco do Pedro em Ilhéus - Bahia, onde o terreiro de Candomblé existente no local foi invadido e as pessoas que ali estavam, foram vítimas do abuso de poder que o sistema impõe expresso e impresso na farda de maus policiais militares, que camuflado no privilégio que o sistema político dá, fazendo-os pensar que tem o poder /autoridade de desrespeitar um coletivo humano que manifesta sua religião, tratando como inferiores e demonizados, fazendo chacotas racistas contra as culturas de matriz africana. 
 Quando acontece situações desse tipo nos perguntamos: Será que essas pessoas afrodescendentes que vivem pacificamente entre si e buscam seu sustento através do cultivo da terra que mantêm sua cultura viva merece esse tratamento? 
Os fatos: Ao ser questionado pela coordenadora do assentamento e sacerdotisa (filha de Oxossi) Bernadete Souza, sobre a ilegalidade da presença do pelotão da polícia na área do assentamento, por ser este uma jurisdição do INCRA - Instituto Nacional e Colonização de Reforma Agrária e, portanto a polícia sem justificativa e sem mandato judicial não poderia estar ali. Menos ainda, enquadrando homens, mulheres e crianças, sob mira de metralhadoras, pistolas e fuzil, o que se constitui numa grave violação de direitos humanos. Diante deste questionamento, o comandante alegando desacato a autoridade, autorizou que Bernadete fosse algemada para ser conduzida à delegacia. Neste momento o orixá Oxossi incorporou a sacerdotisa que algemada foi colocada e mantida pelos PMs Júlio Guedes e seu colega identificado como Jesus, num formigueiro onde foi atacada por milhares de formigas provocando graves lesões, enquanto os PMs gritavam que as formigas eram para afastar satanás. Quando os membros da comunidade tentaram se aproximar para socorrê-la um dos policiais apontou a pistola para cabeça da sacerdotisa, ameaçado que se alguém da comunidade se aproximasse ele atirava. Spray de pimenta foi atirado contra os trabalhadores. O desespero tomou conta da comunidade, crianças choravam, idosos passavam mal. Enquanto Bernadete (Oxossi) algemada, era arrastada pelos cabelos por quase 500 metros e em seguida jogada na viatura, os policiais numa clara demonstração de racismo e intolerância religiosa, gritavam: fora satanás! Na delegacia da Polícia Civil para onde foi conduzida, Bernadete ainda incorporada bastante machucada foi colocada algemada em uma cela onde havia homens, enquanto policias riam e ironizavam que tinham chicote para afastar satanás, e que os Sem Terras fossem se queixar ao Governador e ao Presidente.

 Em pleno século XXI, vivemos tipo de sociedade que se auto-intitula como evoluídos e pós-moderna, acontece fatos que relembra o periódo colonial na escravidão do século XVII, quando os africanos escravizados eram perseguidos e colocado no tronco, ao manifestar sua cultura (língua, religião, aparência, etc.) ou querer autonomia no cultivo da terra.
 Inadmissível deixar passar despercebido acontecimentos como esse no terrreiro do Banco do Pedro. Sabemos que a repressão policial relembra tempos desagradáveis de nossa historia, que evita a liberdade.
A publicação dessas notícias não é levada ao conhecimento da população, fazendo com que a maioria das pessoas não conheça tais fatos, implicando que pense que não acontece esse tipo de ações nos dias de hoje. sabemos que a mídia exerce um poder de controle social.
 O fato das culturas de matriz africana não ter espaços nos veiculos de comunicação e ser representada de maneira distorcida e inferiorizada na mídia, faz pensar que o Afrodescendente só pode ser aceito se adequando ao modelo/padrão imposto pela industria cultural e suas mídias. As praticas religiosas são caracteristicas particulares a cada povo, então como não considerar racismo a atitude desses maus policiais no terreiro de Candomblé???
 E como se já não bastasse temos a intolerância religiosa já ganhando legitimidade no estado de São Paulo, quando a lei de sacríficio de animais em rituais religiosos esta proibido. Que absurdo. Essa ação é de ignorância imensurável, pois pela falta de entendimento das culturas de matriz africanas, sem saber o que é oferenda, sem saber o que é agradecer  as Entidades superiores que nos protege. Sem saber essas informações é que acontece as ações de intolerância. 
 A falta de conhecimento em seres humanos ditos como modernos, faz com que práticas religiosas seja prejudicada. Eles querem defender os animais sacrificados (galinhas, pombos, bode...), mas não se preocupam em parar de poluir o ar, a água e o solo.
 Querem defender a ideia de que sacrificar tais animais é um desperdício alimentar, mas é a favor da idéia de manter estocado nos supermercados até a data de válidade ser vencida, enquanto milhões de pessoas morrem de fome e sofrem com a insegurança alimentar.
 Essa é uma das facetas mostrada mais uma vez pelo sistema de dominação eurocêntrico globalizado, que transmite idéias e pensamentos hegemônico que deve invadir a cabeça das pessoas recolonizando-as como era feito no século retrasado, mas agora é de maneira mais sutil e eficaz, fazendo a lavagem cerebral através de aparelhos de mídia e personagens preparados para transformar em leis pensamentos eurocêntrico embranquecido que desqualifica e extermina as expressões culturais de outras etnias, principalmente as etnias africanas.
 Hoje em dia é praticamente uma luta existencial  assumir nossa ancestralidade africana, pois seremos subjulgado em nossas pratícas religiosas, se manifestarmos o culto aos Orixas (Entes das manifestações naturais e representa os elementos que compõe a natureza do homem e a natureza externa a ele),  seremos chamados de feiticeiros , bruxos, etc... Cenas que relembra a inquisição, mais ao invés de para a fogueira, vamos para a cadeia.
                                                       

 Se manifestarmos nosso culto a Criação e ao Criador do homem originado em África e presarmos pela prática original humana de total interação com a natureza, utilizando ervas e mantendo a originalidade, como diz as escrituras do velho testamento em Levitíco 21-5, ao qual diz ao povo de Deus: "Não rastar a cabeça e nem raspar a barba." Fazendo-nos RasTafarI's que louva o Criador e interagimos espiritualmente com a natureza. Mas nessa sociedade mediócre eurocêntrica somos tidos como vagabundos e sujos por sermos e termos Rasta e usarmos nossa erva sagrada.
 Enfim o preconceito e a discriminação esta presente em nossa sociedade explicitamente e devemos combater essas idéias. E nossa principal arma é assumir nossa ancestralidade africana, pois eles tem medo de nosso poder mental e a proteção do Altissímo. JAH ALLMIGHTY.

Link da notícia: http://www.midiaindependente.org/pt/blue/2010/10/480083.shtml    

Por Ras Tonton Fya Burning.
      

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

SEXTA DA PAZ!! NO Oiteiro...

Hoje tem Minikongo no Espaço Cultural Casa Aberta apatir das 20:00 hrs.


Tambores do Tempo: 30 anos do Bloco Afro Mini-Kongo

O projeto Tambores do Tempo aborda os 30 anos de existência do bloco afro Mini-Kongo, o mais tradicional do sul da Bahia, contextualizando o local onde nasce (Alto de São Sebastião) e o processo de luta de resistência cultural na cidade de Ilhéus. O Mini-Kongo é fruto de um movimento identitário nascido no bloco Ilê Ayê, do bairro da Liberdade, situado na Cidade do Salvador, durante a década de 1980, quando líderes religiosos e artistas como Atanagildo Ribeiro, Pedro Farias e Mário Gusmão entraram em contato com as manifestações afro nas ruas da capital baiana e, de lá, trouxeram as bases conceituais que nortearam o movimento cultural negro em Ilhéus e que influenciaram a criação do Mini-Kongo. Dessa forma, no Tambores do Tempo, está enfatizada a relação existente entre os blocos afro e os terreiros de candomblé, fazendo com que os primeiros sejam uma espécie de extensão das manifestações religiosas de matriz africana.
O conteúdo do Tambores do Tempo mostra a trajetória histórica do bloco ilheense mediante o depoimento de antigos moradores do Outeiro, de membros fundadores e de pessoas que participam do processo de luta para a preservação dos valores étnicos afro-descendentes, assim como utilizou-se do acervo iconográfico da instituição. Nele, busca-se o debate sobre a realidade vivida pelos blocos afro do município e mostrá-los não apenas entidades carnavalescas, mas como instituições promotoras de ações voltadas para a valorização das manifestações culturais existentes nas comunidades nas quais estão inseridos. A significância de projetos como esse está na sua contribuição para a promoção de cidadania e de conscientização por parte da população a respeito dos valores que formam a identidade do nosso povo constituído, em grande parte, por descendentes das etnias africanas vindas no processo diaspórico.
O documentário foi gravado em locações como o Outeiro de São Sebastião e o Terreiro Matamba Tombecy Neto, situado no Alto dos Carilos, no bairro da Conquista. A sua exibição fará parte da programação da comemoração dos 30 anos do Mini-Kongo a ser realizada na noite de 27 de novembro na sede do bloco. O documentário, realizado pelo Centro de Documentação e Memória Regional da Universidade Estadual de Santa Cruz (CEDOC-UESC) e dirigido por Ewerton Evangelista da Silva, contou com o apoio da Fundação Cultural de Ilhéus (FUNDACI), do Centro de Estudo, Pesquisa e Aplicação Pan-Africanista (CEPAPA), do Instituto Histórico e Geográfico de Ilhéus (IHGI) e da Panorâmica Produções.

André Luiz Rosa Ribeiro (Coordenação do CEDOC-UESC)
Ewerton Evangelista da Silva (Diretor-Geral do CEPAPA)
                                                    

Mestre Sandro comandando a Bateria
Apresentação em frente ao Teatro municipal de Ilhéus


Dê esse Axé lá!!

por Ras Tonton Fya Burning!